Não é a primeira vez que sento com alguém que já ganha bem, já tem alguns anos de carreira, e mesmo assim chega ao primeiro encontro com uma coleção de produtos financeiros que não conversam entre si. Um CDB que o gerente ofereceu. Uma previdência aberta há cinco anos sem saber bem por quê. Talvez um pouco de ação, comprada depois de ler alguma coisa. Nada errado em nenhum desses produtos isoladamente. O problema é que, juntos, eles não somam a lugar nenhum, porque nunca houve uma pergunta por trás deles.
A pergunta errada: "onde eu devo investir?"
É a pergunta mais comum que recebo, e é a pergunta errada para começar. Não porque produto não importe, mas porque essa pergunta pressupõe que a decisão mais importante já foi tomada, quando na maioria das vezes ela nem existe ainda.
Investir é alocar dinheiro para um objetivo, dentro de um prazo, com um nível de risco definido. Sem essas três coisas, "onde eu devo investir" não tem resposta certa, porque a resposta certa depende inteiramente delas. O mesmo CDB pode ser uma ótima escolha para uma reserva de seis meses e uma escolha ruim para uma aposentadoria daqui a vinte anos. O produto não muda. O que muda é para onde ele está servindo.
A ordem que resolve isso
Antes de qualquer conversa sobre produto, três coisas precisam estar resolvidas, nessa ordem:
Reserva de emergência formada
Sem essa base, todo investimento de prazo mais longo vira reserva disfarçada, e reserva disfarçada é sempre resgatada na hora errada. Veja o valor exato e onde guardar.
Objetivo com número e prazo
Não "quero investir para o futuro". Quanto, exatamente, e até quando. Veja como calcular o seu número.
Perfil de risco real, não o que você acha que é
A maioria descobre o próprio perfil de risco só quando o mercado cai e vê como reage. É melhor descobrir isso numa conversa do que numa perda.
Só depois dessas três respostas é que faz sentido conversar sobre produto. E aí a conversa muda completamente: em vez de "esse CDB é bom?", a pergunta vira "esse CDB serve para o que eu preciso, no prazo que eu preciso, com o risco que eu topo?"
Aportar não é o mesmo que chegar lá
É um padrão que vejo o tempo todo, em pessoas com perfis completamente diferentes: alguém investindo com disciplina, todo mês, há anos, sem nunca ter parado para calcular se aquele valor, naquele prazo, chega perto do que vai precisar. A disciplina existe. A direção, não.
Um dos casos mais claros que já acompanhei foi o de um empresário com R$4,3 milhões em imóveis e apenas R$600 mil investidos, que descobriu, ao fazer essa conta pela primeira vez, que precisaria de R$6 milhões investidos para se aposentar como planejava. Ele vinha aportando havia anos, disciplinadamente, sem nunca ter calculado se aquilo levava a algum lugar. Conto a história completa, com os números e o que mudou, na Crença 6, sobre renda alta não ser sinônimo de patrimônio.
Aportar sem saber o número de chegada é só movimento. Patrimônio alto não significa aposentadoria garantida.
Só depois disso, produto
Reserva formada, objetivo com número e prazo, perfil de risco real: com essas três coisas resolvidas, a escolha de produto deixa de ser a parte mais difícil do processo. Vira, na verdade, a parte mais simples, porque cada decisão passa a ter um critério claro por trás. É esse critério que falta na maioria das carteiras que chegam até mim, não a falta de bons produtos.
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Você sabe se o que está investindo hoje leva a algum lugar?
Numa conversa de 20 minutos, a gente olha sua reserva, seu objetivo e o que você já investe, e se isso está de fato conectado a um número de chegada.
Quero meu diagnóstico gratuito →Flávia Schusciman
CFP® · Assessora de Investimentos Credenciada à XP
Nos últimos 7 anos ajudou mais de 200 famílias a saírem do ciclo de "ganhar bem e não guardar nada".